domingo, 4 de abril de 2010

Vinho

Comida e cozinha não são assuntos complicados, mas são extremamente vastos e muita mistificação aparece onde o básico do conhecimento é exíguo. Não raro a mistificação torna-se a essência de certos temas, um dos quais o vinho.

Uvas, esmagadas e deixadas a fermentar, com o processo “maduro” retiramos o líquido e engarrafamos. A grosso modo o vinho é apenas isto. Eu tendo a considerar qualquer vinho feito apenas de uvas como honesto. Pode ter muitos pecados, mas ganha o benefício da inocência.

Nem todas as uvas dão bom vinho, quando era criança meu avô tinha o costume de fazer vinho em casa, íamos eu e meu pai no CEASA comprar caixas e caixas de uma uva que era ruim para se comer, pequena, bem preta, doce e um pouco ácida, difícil de tirar a casca. Não me lembro o nome, lá se vão muitos anos, só sei que a uva de mesa (niágara) não servia, dizia meu avô. A safra começava quando a niágara terminava em dezembro/janeiro. Hoje penso, quem é que comprava aquela uva? O barril tinha que ser esterilizado, as uvas esmagadas com uma engenhoca que meu avô tinha construído, um “martelão” quadrado com uma calha onde as uvas esmagadas iam direto ao barril, depois disso eram meses, mexendo o composto e roubando um pouco do líquido doce que se formava antes da fermentação estar completa. No fim do processo o líquido era sifonado, tomando cuidado para não mexer no bagaço de cascas que flutuava, e engarrafado.

Não poderia ser considerado um vinho refinado, era pesado, tânico e bem ácido, mas era feito apenas de uvas.

Inocência não é o pré-requisito de um grande vinho, apenas de vinho. Qualquer coisa que não saia da fermentação de uvas, deve ser descartado na denominação vinho.

O quê há para saber sobre o vinho? O que confere as suas características?

Em essência é isto que precisamos conhecer sobre os vinhos que tomamos, e lógico, o seu sabor.

Em teoria o tipo de vinha e o local onde vai ser cultivada (terroir), determinam as características do vinho. O clima do ano da safra era bem era importante. Hoje em dia isto mudou muito.

Antes de ser uma indústria o vinho é um artesanato, e sofre com o excesso de produção, quanto maior esta, os cuidados devem ser exponenciais, se se quiser que a qualidade seja mantida.

Antigamente a qualidade e características do vinho dependiam muito da qualidade da uva original e das condições climáticas durante o crescimento da uva. Hoje em dia os vinhos são “acertados” de modo a garantir uma constância de sabor entre as várias safras. Este acerto é feito com vinhas de corte, de sabor variado que são misturadas ao vinho original para chegar em um paladar mais constante. Muitos vinhos em vez de ter como “rótulo” a vinha original (os chamados varietais, com 70% da vinha original), são considerados “blends”(misturas), e alguns destes tem certo status de marca.

Não se pode deixar que por conta de um fator alheio à nossa vontade como o clima, a constância de um produto comercial como o vinho varie. Por isto mesmo quase todas vinícolas modernas “acertam” seus vinhos. Isto em parte garante a sua constância, mas impede que algumas safras extraordinárias surjam, por conta de fatores incontroláveis da natureza.

O que você precisa saber sobre vinho:

1- Quem fez e de onde veio, qual região vinícola que o produziu e se o mesmo é típico de tal região.

2- Qual o tipo de uva que entra em sua composição.

3- O ano de produção, não que ainda existam características de safra, mas para saber o tempo que o vinho permaneceu na garrafa, os bons vinhos costumam se beneficiar na maturação, muitas vezes mudando completamente.

4- Degustar o vinho, perceber através do olfato e do paladar, as características do mesmo e lembrar.

5- Preço e qualidade não andam juntos.

6- Não importa o que falem, quem tem que gostar do vinho é você!

No futuro escrevo sobre como uma única fruta pode dar uma bebida com tamanha variedade de sabores complexos, por hoje fico por aqui.

Abraço,

Alê

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